Aumento do otimismo do mercado de crédito não garante redução de juros, dizem economistas

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Aumento do otimismo do mercado de crédito não garante redução de juros, dizem economistas

O otimismo do mercado de crédito aumentou após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. É o que mostra o novo levantamento do Termômetro de Crédito da GoOn, consultoria de Gestão de Riscos. Especialistas explicam, porém, que isso não é suficiente para a redução dos juros.

Segundo a GoOn, o índice da respostas dos entrevistados de que a concessão de crédito vai melhorar subiu de 16,9%, em janeiro, para 41,3%, neste mês. Já a porcentagem de expectativa de aumento da inadimplência caiu de 72,2% para 33,7%, no mesmo período.

Joelson Oliveira, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), explica que é provável que os juros caiam, mas não apenas pelo aumento do otimismo do mercado:

— O que vai ser determinante para a queda é a inflação. Se todo mundo continuar otimista, mas a inflação permanecer elevada, não vai adiantar. O que vemos é que a inflação começa a arrefecer. Ou seja, tudo indica que vai haver uma queda de juros, mas por uma combinação de fatores.

Júlio Miragaya, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), no entanto, faz avaliação diferente:

— A queda dos juros depende, essencialmente, da Selic (taxa básica da economia, hoje de 14,25% ano ano). O mercado referencia suas diversas taxas à Selic. E na última reunião do Copom (do Banco Central), a sinalização foi de que ela será mantida até o fim do ano.

Miragaya explica que a posição do Cofecon é que, desde o final do ano passado, o governo poderia já ter reduzido a Selic.

— Dificilmente, haverá uma surpresa. Pode ser que o governo surpreenda na reunião de dezembro, se os números da inflação melhorarem muito.

O economista esclarece, ainda, que o desemprego é um dos fatores que afetam o patamar dos juros, já que eles variam de acordo com o risco do empréstimo não ser pago, ao qual os credores estão expostos:

— É uma coisa dúbia. Quando você tem uma taxa de desemprego elevada, existe uma tendência maior da inadimplência, por motivos óbvios: as pessoas desempregadas não têm recursos para quitar seus débitos. Por outro lado, quando você tem uma taxa de desemprego em alta e a renda média dos que estão empregados em queda, que é o que está acontecendo, isso aprofunda a recessão, a queda da economia. Com a queda, evidentemente que o espaço para reajustar preços cai. E, com isso, a inflação tende a cair porque não adianta nada o cara reajustar preços e não ter consumidor.

 

Fonte: Extra

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